O Encanto da Família
- Gabriela

- 27 de dez. de 2022
- 4 min de leitura
Filmes de animação geralmente conseguem tocar mais profundamente em adultos do que em crianças que acabam sendo chamadas atenção mais pelo enredo divertido, pelo design criativo e diferente do que para os reais ensinamentos das histórias.
Quando lançou o filme “Encanto”, da Disney, fiquei super empolgada para ver só pela estética lembrar ao filme de “Moana” – ou seja, personagens com características mais realistas com a cultura do local onde se passa a história. Até aí, tudo bem. O que eu não esperava era ser tocada pelo Senhor de uma maneira tão diferente em quanto assistia ao filme...
Vou te contar um pouco da história.
Havia uma família colombiana, cujo o sobrenome era “Madrigal”, que surgiu quando a avó deles junto com o avô e seus 3 filhos estavam fugindo por terem ficado desabrigados após um conflito onde moravam antigamente. Eles acabaram sendo perseguidos e para salvar sua família, o avô acabou morrendo. Nesse momento, em que desamparada a avó ora, ocorre um milagre com a vela que ela carregava se tornando mágica e criando um vilarejo protegido para ela, seus filhos e toda a sua comunidade desamparada.
A casa principal, que era a dos “Madrigal” era encantada e cada descendente dela recebeu um dom para servir a comunidade, exceto Mirabel. Essa acabou não recebendo nenhum dom como o de suas irmãs: ser extremamente forte e a outra, o poder de criar flores belas. Ou como o de sua mãe, da cura, e de sua tia, controlar o tempo, ou ainda como o de seu tio excluído, que era prever o futuro. Mas ela tinha um dom que se sobressaía sobre todos aqueles aparentes: o dom do Amor. Mirabel queria ajudar e nessa sua ânsia de querer ser vista, apreciada, reconhecida tanto como ocorria com seus parentes ela acreditou ser menor que eles e menos importante porque o dom era supervalorizado em sua família. O resultado disso no decorrer do filme, foram vários conflitos de autoconfiança, ego e controle excessivo por parte da avó acarretando no enfraquecimento do relacionamento familiar em prol de manter as aparências.
Nessa história podemos ver vários tipos de mulheres com comportamentos que geralmente acabamos nos identificando com mais de um:
Mirabel – insegurança e precipitação. Corajosa, determinada, vulnerável e misericordiosa
Isabela (irmã das flores) – Arrogância e vaidade. Feminilidade e beleza.
Luisa (irmã extremamente forte) – Orgulho e sobrecarga. Serviço e senso de responsabilidade
Abuela (matriarca) – Perfeccionista, arrogante, controladora e reclamona. Determinada, corajosa e forte.
Há uma frase em que li no livro “Sabedoria: Eu clamo por ela”, da autora Márcia Barros, que diz: “O grande ministério de uma mulher de Deus é perceber onde há uma necessidade e ser a solução”. Muitas vezes conseguimos perceber as necessidades externas com mais facilidade e querer atende-las uma urgência maior do que aquelas que estão literalmente debaixo dos nossos narizes: dentro dos nossos lares, sendo manifestadas no comportamento de cada familiar nosso. É por isso que no Evangelho do Senhor Jesus teremos o famoso ensinamento: “Tire primeiro a trave do seu olho e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão”.
Em quanto “Mirabel” julgava que aqueles que tinham dons aparentes possuíam uma vida mais fácil do que a dela, os mesmos continuavam cegos, oprimidos e sobrecarregados pela falta de perdão, de diálogo e aprisionados pelas expectativas da “Abuela”, deles mesmo e da comunidade. Foi necessário “Mirabel” ir mais fundo, se dispor a fazer aquilo que era certo para poder conseguir unir a sua família novamente: cedendo seus ouvidos, confortando e perdoando suas irmãs, confrontando suas crenças e tendo misericórdia para olhar cada familiar não mais como deuses, mas como seres humanos frágeis e vulneráveis que precisam de amor, conselhos, carinho e cumplicidade.
É por isso também que na Palavra de Deus fala que “a mulher sábia edifica a sua casa e a tola a destrói com as próprias mãos”, ou seja, aquela que negligencia a sua casa, que se sente menor por estar cuidando da benção que o Senhor mesmo lhe confiou acaba por ser insensata, caindo na mesma mentira que Eva acreditou, na mentira da autossuficiência, da insubordinação. Na mentira da desconstrução.
Desde o princípio, o Senhor instituiu a família como base, como um projeto dele e por isso o Senhor Jesus veio como servo, lavou os pés daqueles que eram menores e indignos dEle e Deus amou tanto que DEU o seu único Filho para que a humanidade fosse salva. O próprio Jesus já ensinou como devemos ser e agir, seja com a família seja com os de fora:
“Mas entre vocês não é assim: pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vocês, que se coloque a serviço dos outros; e quem quiser ser o primeiro entre vocês, que seja servo de todos. Pois o Próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”
Marcos 10.43-45
Devemos fazer aquilo que é certo, reto e justo, pois agrada ao Senhor: perdoar, nos doar, amar, ter paciência, cuidar e respeitar. É necessário descobrir a necessidade e ser a solução seja com um abraço, uma palavra de cura, de exortação ou apenas os nossos ouvidos atentos, sendo presentes na vida dos nossos entes queridos. No entanto, na ânsia de ajudar, precisamos ter sabedoria, prudência e discernimento para acabar não colocando os pés pelas mãos.













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