

"Quem era Gabi..."
Desde muito nova sempre fui apaixonada por dança, música, pintura, desenho e tudo aquilo que arte oferece.
Desde criança sempre fui sensível demais a tudo que estava ao meu redor.
O meu ambiente familiar sempre foi um ambiente de muito amor dos meus entes queridos por mim e recebi bastante atenção com a parcela da minha família que mais convivo até os dias de hoje. Os meus pais não chegaram a casar e se separaram antes mesmo de chegar a nascer por serem pessoas diferentes, com propósitos diferentes.
Do meu pai, eu herdei muitas coisas aparentes fisicamente como os cabelos cacheados, os olhos pequenos, a boca desenhada e os pés e mãos praticamente iguais, até a mesma marquinha nas costas. Também herdei um pouco da introspecção e dificuldade de falar o que sinto, além dos meus dons para música, já que aprendi a tocar violão sozinha e muito cedo.
Da minha mãe, eu herdei quase toda a sua personalidade alegre, a sua bondade, impaciência, amorosidade, misericórdia, obediência e intensidade. De fato, eu copiei e ainda copio muitos trejeitos dela, carregando muito de quem ela é dentro de mim, ainda mais por conviver a minha toda muito mais com ela, já que me criou sozinha.
Nessa minha jornada, a minha família sempre foi daquelas que gosta muito de festa, seja por parte de mãe ou por parte de pai, que crer em tudo, que é bem superticiosa e não liga de estar na missa no domingo, sendo que no sábado fez um caruru para um santo, uma família bem típica da Bahia (sou de Salvador). Então nós íamos para centros espiritas, para tarólogas e acabamos parando na umbanda e candomblé. Bom, eu não diretamente, mas, a minha mãe. Respeito as religiões diversas, só não creio mais que todas elas levam a Deus.
Vivemos dessa forma até os meus 15 anos de idade, crendo nesses ídolos, sendo direcionadas por horóscopos e cartas de tarô, acreditando que já fui índia em vidas passadas ou que fui uma guru do amor (várias pessoas hinduístas, espíritas, enfim, de outras religiões que creem em vidas pregressas ao conversarem comigo sempre disseram que apesar da pouca idade, existia muita sabedoria em mim e que eu tinha o conexão com o "Universo/criador" muito forte, que só poderia ter sido desenvolvida em outras vidas.
Eu podia ter essa sabedoria porque sempre sofri muito com a ausência paterna, com as brigas constantes que eu via na família da minha mãe, acabava me sentindo responsável por tudo e carregando um peso muito grande... Acabei buscando meu pai muito cedo em meninos por conta da carência, e o dom da dança eu acabei usando muito para promover o meu corpo, para querer chamar a atenção, para me sentir desejada, vista. Além disso, eu sempre queria ser a melhor da sala, a melhor dançarina, a melhor em tudo que eu fazia, queria ser perfeita, a pessoa que sabe fazer tudo, que mais sabe se comportar, que obedece, mas que também sabe fazer as coisas da cabeça dela, eu queria ter o controle de tudo.
Nessa jornada exaustiva por perfeição, eu me autossabotava o tempo todo, eu me sentia perdida e me odiava por muitas vezes por conta da comparação excessiva e da dependência emocional absurda de querer ser querida, aprovada e reconhecida. Comecei um processo de desconstrução quando parei de alisar o meu cabelo e comecei a me aceitar naturalmente. Pode parecer bobo um cabelo, mas para mim nunca foi. Eu comecei a conseguir me olhar no espelho e a me aceitar como o Criador tinha e feito.
No colégio, eu sempre gostei também de lutar por aqueles que são excluídos, de dar atenção a eles, de que respeitassem os professores e mais velhos, sempre gostei de incluir e sempre detestei injustiças, sempre fui a que tira satisfação, a que vai pra cima defender os "menores". Não à toda que me familiarizei tanto com pensamentos comunistas, com o feminismo e demais ideologias progressistas que arrotam igualdade e inclusão no cenário político do Brasil, mas é uma igualdade e inclusão seletiva e extremamente cruel e alienante. Já briguei muito por política, mesmo sem entender nada, apenas reproduzindo como um papagaio.
Essa era quem eu era, magoada, aprisionada em padrões, viciada em masturbação e pornografia, com autoestima no chão, cheia de ira e orgulho no coração. Essa menina feminista, que tinha raiva do patriarcado, que acreditava que todos nós somos livres para sermos quem quisermos, ainda que você seja uma mulher que se diz homem ou um homem que se entende como mulher. Uma pessoa que acredita que não devemos ficar empurrando nada na "guela" dos outros, que não é importante casar, porque o casamento é opressor e que as mulheres precisam ser livres, à ponto de até decidirem se a vida de um neném importa mais que a vida de uma mulher, ou seja, que ela é livre até para abortar. Essa era Gabriela. Essa adolescente problematizadora e "mimizenta" que ninguém podia descordar do que ela pensava, que seus valores estavam invertidos e estava começando a sucumbir pouco a pouco.
"Mas porque Eva veio da costela de Adão? Nós não somos menores!!! Esse contexto da Bíblia está errado! Era um tempo antigo demais para aqueles homens entenderem que tudo bem se uma mulher gosta de outra ou se um homem se relaciona com outro! IDAI? Isso não faz sentindo, porque Deus ama TODXS"
Essa era eu.
O ponto disso tudo era que eu estava sendo influenciada espiritualmente e opressa por demônios por conta dos caminhos que minha mãe e toda a minha família sempre decidiram trilhar: idolatria de santos, de pessoas, de objetos.
Esses caminhos levaram a minha mãe quase separar do meu padrasto, levou uma tia a loucura, levava o dinheiro embora porque nunca rendia nada, levou a brigas e mais brigas dentro da família, levou a uma ruptura brusca da relações que nós tínhamos.
E foi em meio a muita dor que minha mãe decidiu ir a igreja em 2018 e começou a mudar completamente dentro de casa. Eu não reconhecia mais a minha mãe. Ela deixou de andar com a mãe de santo que andava e tirou todos os santos de casa. Quando normalmente ela gritava, ela parou de gritar. Passou a servir mais a mim e ao meu padrasto em casa, tudo isso grávida do meu irmão, servindo no pior momento dela, em que estava mais sensível e com o mundo desabando sobre ela.
Então, ela começou a jejuar e a orar, a só ouvir louvores e eu não entendia muito daquilo, mas me incomodava vê-la tão apática, tão estranha, tão passiva para ela que sempre foi muito ativa, com uma energia masculina absurda, assim como todas as mulheres da nossa família.
Isso começou a mexer muito comigo e eu fui vendo a dor que era para ela em cada libertação que ela passava na igreja, via ela manifestando demônios, assim como eu cheguei a manifestar. Meu irmão foi quase vai embora em um sangramento que ela teve e os médicos diziam que ele tinha risco de ter nanismo. Nesses momentos, eu comecei a chamar mais por Deus e a tentar orar do jeito que eu via ela orando, mesmo sem eu sabe como fazia isso. Deus me ouviu. Meu irmão não foi embora, nasceu e não tinha nanismo. E eu comecei a ir para igreja nesse meio tempo.
Eu sentia muito peso ainda, uma tristeza fora do comum invadia meu peito, escutava vozes no meu ouvido dizendo que era para eu me jogar na frente dos carros, para me jogar da varanda do quarto, para fazer coisas suicidas e eu só fazia chorar silenciosamente, sentindo meu coração sumindo. Eu não conseguia desabafar com ninguém. Nem com meu namorado, nem com a minha mãe. Só Deus via essa minha agonia. O que mais me ajudou e que Deus utilizou nesse tempo para me trazer mais equilíbrio foi o Judô (que eu não sabia que era nesse lugar que Deus iria fazer eu encontrar o meu futuro marido, rs).
Tudo que eu passava era uma questão espiritual. E então, no final de 2019, após já ter durante esses quase 2 anos que minha mãe começou a ir para igreja, aceitado Jesus algumas vezes, eu finalmente o recebi verdadeiramente e me arrependi dos meus caminhos.
Deus foi me libertando da Depressão e da Ansiedade, sempre me tirando junto com minha mãe do atoleiro de lama em que nos encontrávamos.
No dia 01/03/2020 nos batizamos juntas, na praia, assim como tínhamos pedido ao Senhor.
Terminei o namoro que não agradava a Deus, busquei deixar de xingar, jejuei para que o Senhor me ajudasse a me libertar da masturbação e da pornografia, assim como dos meus desejos pelo mesmo sexo que eu, já que tinha atração muito forte por meninas, á ponto de ficar muito constrangida por sentir essas coisas por amigas minhas. Era terrível. Eu odiava sentir isso.
"Ele me tirou de um poço de destruição, de um atoleiro de lama; pôs os meus pés sobre uma rocha e firmou-me num local seguro. Pôs um novo cântico na minha boca, um hino de louvor ao nosso Deus. Muitos verão isso e temerão, e confiarão no SENHOR" (Salmos 40.2-3)
Foi desse lugar que o Senhor me tirou e me deu...
Nesse blog, eu escrevo porque o Senhor me inspirou a compartilhar os meus desafios e os ensinamentos que Ele tem ministrado ao meu coração desde o início da minha jornada na fé.
Espero que o Senhor fale ao seu coração, te cure, te liberte e te dê uma nova vida, assim como ele fez comigo.
Uma nova vida cheia da Presença e do Amor de Deus.
De fato, nesses anos de caminhada cristã, o Senhor não me deixou sozinha e sempre se fez presente com a sua Graça e misericórdia abundante.